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A Mensagem Subliminar de Infinito



A Mensagem Subliminar de Infinito

A mensagem que parece ser clara – um menino sonha lançar um balão no espaço para hackear um satélite – esconde, em seu íntimo, uma série de referências que me permitem afirmar: a obra-prima que é o clipe de Infinito, nova música da banda Fresno, é na verdade uma representação da própria vida de Lucas Silveira, da banda e da eterna busca por tudo que pode estar lá.

O vocalista dorme e quem acorda é o garoto, determinado a realizar um sonho que não nos é revelado num primeiro momento, mas que começa a tomar forma após o bater na porta do primeiro amigo que irá lhe ajudar nessa busca: a criança que representa o Vavo. Sabemos que na própria Fresno, são eles os precursores de tudo e que o Vavo foi o primeiro a compartilhar do sonho. Detalhe para a camisa dos Ghost Busters que o Vavo-criança usa, faz muito sentido já que até hoje ele segue firme, exorcizando todos os fantasmas da banda (Tavares e afins).

As próximas cenas revelarão o sonho dos garotos, mas não sem antes sermos introduzidos a outras duas crianças, que no clipe representam o baterista Bell e o tecladista Mario, membros que juntaram-se a banda em substituição a outros integrantes. Talvez por isso, Lucas não foi bater na porta de nenhum deles (como fez com Vavo), seus caminhos simplesmente se cruzaram na vida real e, no clipe, as crianças já se mostram por dentro do projeto.

Então, finalmente, numa cartolina posta sobre a mesa está descrito o “Plano Infinito”. O balão tem que subir preso a uma caixa bem leve, de forma que suba além da órbita da Terra, para que algum satélite possa filmá-lo e passar na televisão. Simples assim, um sonho de criança pensado para que fossem percebidos, para serem vistos e fazerem alguma diferença no mundo. Exatamente o mesmo sonho que toda banda de rock tem. Sim, o “Plano Infinito” é, na verdade, um sonho que se tornou realidade fora do clipe, é a concepção da própria banda Fresno.  

Repare que na mão do Bell está a caixa que deverá subir à órbita, um dispositivo incomum, objeto não identificado, impossível de se caracterizar, exatamente como a Fresno: uma banda gaucha que não faz música gaúcha, uma banda de rock nacional que não faz rock nacional, e por isso, classificada pela mídia preguiçosa e acostumada a mesmice, sob o rótulo caricato de banda emo, onde roupas e cabelos tornaram-se mais importantes que a verdade impressa na música.

Mas os garotos acreditam no seu sonho e colocam os balões pra voar. E assim como a carreira da banda, eles decolam e alcançam a estratosfera, de onde as imagens mais lindas são filmadas para o clipe, e de onde os olhos em cima do palco puderam testemunhar os mais lindos momentos de sonhos tornando-se realidade. Se o Plano Infinito queria hackear os satélites, a Fresno conseguiu, aparecendo na grande mídia e sendo uma grande bandeira onde está escrito: “O Rock não morreu”, apesar de todas as tentativas de produtores sem sal.

Sinal transmitido! Missão completa! Amigos, não existe essa porra de impossível. E tai esse clipe e essa banda para provar isso pra gente.

O que esperar de Tico Santa Cruz na Fazenda?

A primeira vez que olhei a banda Detonautas com outros olhos foi quando assisti ao clipe da música “O Dia Que Não Terminou”. Até então a banda era apenas mais uma montada, formatada e direcionada para atingir o público adolescente com melodias fáceis e versos sem nexo – “Quando o sol se pôr, meu amor, onde você for / Ainda vou te levar pra outro lugar, além do sol e do mar...”- mas o clipe em questão retratava as terríveis histórias de acidentes de trânsito e o discurso da banda sobre o delicado tema parecia fugir do padrão existente na época.

A trágica morte do guitarrista Rodrigo Netto, após uma tentativa de assalto, acabou por ser um ponto de inflexão na carreira do Detonautas. A partir de então, surgiu o Tico Santa Cruz que me habituei a acompanhar: um cara culto, politizado, consciente das mazelas do povo brasileiro, incendiário, filosófico, blogueiro, ativista, por vezes muito coerente, por vezes porra louca, polêmico, birrento, colecionador de inimizades, enfim, um cara sem meio termo, daqueles que ou você gosta ou você odeia. A própria banda amadureceu demais e o disco seguinte “Psicodelia, Sexo, Amor e Distorção” mostrou grande evolução: seja musical, seja em termos de letras.

Ontem, cheguei da faculdade e no trajeto entre a sala e meu quarto, me deparei com a TV sintonizada no reality “A Fazenda”, da TV Record, e eis que um dos participantes era o polêmico vocalista. A primeira indagação que me surgiu – após a incredulidade inicial da cena - foi à razão do cara estar lá, apto a desempenhar, mais uma vez, o papel de fantoche das massas, servindo aos mesmos ventríloquos que ele tanto desdenha. Pensando aqui com meus botões, vejo três motivos até óbvios: 1) R$ 2 milhões; 2) A experiência que seu mestre e provavelmente conselheiro, Dourado, teve no BBB, a qual Tico acompanhou de perto; 3) O desafio, pois como ele próprio publicou em seu blog, não há nada a perder.

Porém a pergunta mais importante é a que dá titulo a esse post, e aí a resposta fica bem mais difícil. Tico parece ser bipolar, na maior parte do tempo transparece uma enorme tranqüilidade, paz de espírito, como se pudesse observar detalhadamente todo o ambiente e extrair a real intenção de cada ato, de cada palavra e de cada sorriso forçado das pessoas ao seu redor. Porém em determinados momentos, os demônios de Tico afloram e sua sagacidade, sua amargura, sua acidez tornam-se armas pesadas, às quais ele mesmo não consegue controlar e, talvez, nem o queira.

Enfim, acho que podemos esperar polêmica e ironia. Particularmente estarei torcendo pelo detonauta. Que ele controle cada demônio que hiberna em sua personalidade... Ou não!

VMB 2010 - Vergonha Alheia


“Não dá pra definir que uma banda é melhor do que a outra pela quantidade de votos, que depende exclusivamente da disponibilidade de tempo das pessoas. Tem bandas aí que têm fãs de 13 anos e a vida deles é passar o dia inteiro na internet votando. Antigamente, achava injusto ser um júri fechado, hoje, acharia muito mais justo, mesmo que eu não fosse indicado a nada. Prêmio é uma coisa estranha. No final, acaba sendo uma votação de quem tem o fã-clube maior”.

Retirei a declaração acima de uma entrevista do Tavares, baixista da Fresno, e ela sintetiza a minha opinião acerca do que foi o VMB ontem. Pelo ocorrido na cerimônia ficou claro que a MTV precisa alterar o “modus operandi” do prêmio, afinal o grande público vaiou uma escolha feita (ou que deveria ter sido feita) pelo próprio grande público.

O que ocorre no VMB atual é uma volta ao passado tão criticado da emissora, à época em que um seleto júri de especialistas detinha o poder de escolha sobre os melhores artistas do ano, e do alto de sua empáfia, deixavam os artistas populares de mãos abanando. Pra modificar esse cenário foi introduzido o sistema de votação online, mas a intenção de popularizar a escolha dos vencedores - para fazer com que o prêmio represente a vontade da maioria - é sabotada, à medida que pequenos grupos de fãs (como os coloridos do Happy Rock) se unem para votar incessantemente em suas bandas preferidas. Ou seja, a escolha dos vencedores retorna às mãos de uma minoria que dispõe de poder, exatamente como no caso dos júris – a diferença é que o poder do júri era adquirido por seu conhecimento musical e representatividade na cena, enquanto o poder do público vem do tempo livre, da organização grupal e, principalmente, da falta de oxigênio no cérebro. O resultado final é o mesmo: revolta da maioria e vaias aos premiados.

Não acho que a solução seja novamente deixar a escolha dos vencedores a critério de especialistas, mas criar algo híbrido, onde as duas frentes se encontrem e concebam um resultado mais justo. Explico melhor: a escolha dos 10 indicados continuaria a cargo do público, porém na definição do vencedor o sistema híbrido consideraria um resultado onde a pontuação da internet tenha algo em torno de 60% de peso, ante 40% de um júri formado por produtores, músicos, vj’s, etc. Dessa forma o resultado seria mais justo do que o acontecido ontem.

Aliás, quero deixar claro que não tenho nada contra o Restart (a ponto até de escutar e achar Te Levo Comigo bonitinha). Achei que eles mereceram a categoria de Revelação do Ano, mas premia-los como a melhor banda do ano é forçar a barra, uma vez que tivemos trabalhos muito melhores que o deles.

Cochilei por um segundo e me deparo com dois novos álbuns do Weezer


Caramba, como esses caras estão compondo rápido. O último album do Weezer que ouvi categoricamente foi o Red Album, de 2008 e como não sou (mais) desses de ficar acompanhando notícias das bandas que gosto, estava tranquilo quanto ao Weezer, achando que provavelmente eles lançariam um CD  novo só por volta de 2010 ou 2011.

Mas não é que navegando pela web, percebo que já são dois novos compactos após o Red Album. Em 2009 rolou o Ratitude e agora em 2010 acaba de sair o Hurley. Ambos com capas peculiares, algo que parece marca desse novo Weezer.

Enfim, antes de escutar os novos albuns da Banda, preferi fazer uma incusão ao passado e retomar a audição dos antigos. Como pode ser visto na tabelinha da Last FM no menu esquerdo do blog, agora estou curtindo o Green Album, o Pinkerton e o Melatoid (que eu nunca ouvi direito), para só então chegar nas novidades. Só espero que Rivers Cuomo não me decepcione.

P.S.: Island and the Sun é magnífica
P.S.II: Hash Pipe não fica atrás

Hellenah - EP

Durante o mês de agosto, a minha banda (Hellenah) gravou 4 músicas no Voltage Estúdio. A mixagem ficou pronta na semana passada e o resultado pode ser conferido aqui. O som é um Rock BR moderno, influenciando por CPM 22, Abril, Fresno, Nx Zero, dentre outros. Visitem o Myspace e ouçam!

Dia 11/09 tocaremos nas festividades de 50 anos da ETEC Martinho de Ciero, a partir das 15h. Quem for de Itu aparece e dá um salve!

Maktub! Estava escrito! Esse BBB é seu, Marcelo Dourado.

Sim, eu assisto Big Brother. Não com veemência e não a ponto de votar em alguém, mas assisto. A verdade é que o programa – assim como política, futebol e religião - criou sobre si uma áurea negra que polariza seus defensores e detratores em duas frentes prontas a batalhar. Comentar o BBB então vira pecado mortal, faz do espectador um ser alienado e intelectualmente deplorável.

Eu (assim como Tico Sta Cruz) me despi desta visão intelectualóide e carrancuda sobre o reality show e me permito a curiosidade de acompanhar e analisar o comportamento humano sob pressão e sob vigia da moralista opinião pública brasileira. De uma coisa tenho certeza: não é nada fácil estar naquela casa e é preciso muita coragem para encarar o desafio. E ontem, após chegar da faculdade acompanhei a vitória, justa, de Marcelo Dourado.

Mas, quem é Marcelo Dourado? É um bruta-montes? É grosso? É deselegante? É homofóbico? É ateu? – Diria que é, ao mesmo tempo, tudo e nada disso.

Dourado, no jogo, personificou sua profissão, foi lutador. E mais que isso, viveu uma trajetória de redenção, percorrendo um caminho espinhoso, o mesmo caminho que, invariavelmente, nós tomamos. Como bem resumiu Biau, Dourado foi escorraçado por ser reincidente no BBB. Tanto os brothers, como o público, achavam injusto ele estar participando novamente, tendo uma nova chance, e não é difícil utilizar esta situação para fazermos uma analogia com a vida real. Basta olharmos ao redor para perceber quantos de nós esperam uma segunda chance e não tem a oportunidade, e quantos a tem, e muitas vezes não conseguem aproveitá-la por nossa culpa. Sim, na vida real existem muitos Dourados, que com brilho nos olhos são presenteados com segundas chances e nós tomamos o papel dos brothers e do público, atacando o passado das pessoas e isolando-as, tecendo comentários maldosos e duvidando de seu potencial. E só ficamos satisfeitos quando o alvo é atingido, quando conseguimos apagar aquele brilho no olhar, quando conseguimos “fazer a justiça uniforme”, concedendo a todos uma única chance. Só ficamos satisfeitos quando colocamos o outro no paredão.

Em seu trajeto, Marcelo Dourado contou com a sorte, a mesma sorte que todos almejamos, mas nem sempre conseguimos. O brother teve sorte ao ser escolhido por Josiane para entrar no programa e por ela ter imunizado-o na primeira semana. Teve sorte ao ganhar a prova de conhecimentos gerais, claramente direcionada ao grupo dos cabeças. Teve sorte ao receber o poder supremo e alterar a decisão do líder que o colocaria no paredão. Já diz o ditado “a sorte acompanha os campeões” e a sorte veio no momento certo, deu o gás necessário para o momento da virada, para a “cena” que conquistou o público.

Sentindo-se isolado dentro do isolamento, às lagrimas, Dourado confessa seus sentimentos:

“Sinto muito ter prejudicado vocês. Involuntariamente isso está acontecendo, eu me sinto rejeitado desde o primeiro momento. De repente eu estou assustado. Tudo aconteceu muito rápido para mim, eu estava na minha, estava trabalhando e apareceu essa oportunidade. Estou me sentindo sozinho, está sendo difícil. Dá primeira vez foi mais fácil, muito mais fácil. Eu tenho medo de como isso tudo está desenrolando, eu não consigo explicar. Eu não sou um cara mau, de repente é a minha maneira. Eu estou me sentindo muito sozinho, eu simplesmente não consigo me adaptar. Vocês estão em outra vibe, é difícil. Eu dou bom dia para as pessoas e ninguém responde e quando me sinto ameaçado, mostro as minhas garras. Só não queria que me vissem como uma má pessoa. Eu queria dormir esses últimos 11 dias. Agradeço de coração vocês terem trocado idéia comigo, pelo menos eu posso me expressar um pouco.”

Este foi o momento mais humano do Big Brother Brasil 10. Dourado não se escondeu atrás de homo-sexualidade, não se escondeu atrás de pobreza, não se escondeu atrás de um relacionamento fictício, ele simplesmente escancarou suas fraquezas, demonstrando toda a fragilidade do ser humano que é. Todos os caminhos citados, além de mais fáceis, seriam fórmulas comprovadas de sucesso, afinal quem não se lembra do professor Jean que ganhou com a bandeira gay, da Cida que ganhou por ser pobre e do Alemão/Max que ganharam através de relacionamentos. Dourado, porém, encarou o BBB de peito aberto, assumiu o papel de patinho feio, isolou-se, por vezes foi individualista e por vezes protegeu seu grupo e, acima de tudo, mostrou seus defeitos e seu teto de vidro. Foi duramente acusado de ser homofóbico, quando na verdade tratou Dicésar e Serginho de igual para igual, sem utilizar-se de dedos a cada discussão com os coloridos. Foi acusado de ateu, apesar de ter recuperado sua fé no hiato entre o BBB4 e o BBB10. Aliás, no próprio confinamento Dourado explicou a tatuagem: “O que tenho escrito no braço é uma marca do que passei. É uma falta de fé geral, não só minha, mas dos outros em relação a mim.”.

A vitória de Marcelo Dourado mostra que a opinião pública vem mudando, pois o brasileiro está cansado de assistir a finais felizes em novelas, enquanto só se fode no dia-a-dia. Mostra que a alienação popular está diminuindo e que a hipocrisia não será tolerada. E mostra a primeira vitória de um anti-herói no reality show nacional, um cara comum, sofrido, que fez tudo o que estava ao seu alcance para aproveitar a segunda chance que teve.

Por fim, a cara de atônito de Dourado ao receber a notícia de que era vencedor e milionário, não é para menos. Após um BBB4 que não lhe rendeu nada a não serem vaias e torcida contraria nas lutas das quais participava, após passar por depressão por sentir-se frustrado e desacreditado, após perder a fé em Deus, após largar tudo e apostar em morar na Nova Zelândia, passar fome e voltar ao Brasil para morar em um único cômodo na favela, em que momento Dourado imaginaria que a vida lhe sorriria dessa maneira? Em seu lugar, eu também ficaria incrédulo num primeiro momento.

Por que Marcelo Dourado ganhou?

Porque é um especialista na luta da vida e porque no jogo representou toda a luta do brasileiro, contra tudo e contra todos. Sua última frase resume tudo: “Minhas derrotas eu perco para ganhar, acho que sou vencedor hoje por tudo que já perdi” – É isso aí Dourado, meus sinceros parabéns.

Up! - Em Altas Aventuras


Quantas vezes carregamos uma casa de recordações?


Quantas vezes carregamos o peso do passado e teimamos em não soltá-lo?




É exatamente sobre isso que o filme da Pixar fala. Uma animação incrível, sutil e densa ao mesmo tempo, e que consegue transmitir um conteúdo avassalador em pouco mais de uma hora.


“Up!” nos ensina que muitas vezes temos que deixar de lado o passado, porque ele nos impede de seguir adiante. Como o Sr. Fredericksen, carregamos uma casa de recordações - às vezes boas como a saudade de um ente querido ou lembranças de bons momentos e às vezes más, como mágoas, rancores e invejas – que limitam nosso caminhar e nos impedem de viver novas aventuras, de dar continuidade a vida.


Enfim, deixemos a vida seguir seu rumo, que naturalmente o passado encontra seu lugar, assim como a casa do Sr. Fredericksen terminou em cima da cachoeira.

O Apanhador no Campo de Centeio


Minha sensação ao ler esse livro foi morna. Talvez porque consegui entender o motivo de tantos terem se empolgado com o texto e, apesar disso, o livro não me tocou, não conseguiu mexer comigo.

Em “O Apanhador no Campo de Centeio”, passamos um final de semana na vida de Holden Caufield, um adolescente americano burguês que não consegue lidar com o mundo a sua volta. Caufield acaba de repetir o ano em mais um colégio interno e resolve tirar férias mais cedo, fugindo três dias antes do previsto.

Toda a história é escrita em primeira pessoa, o que nos torna muito próximos do personagem e faz com que o gostar ou não gostar do livro seja conseqüência de nossa opinião sobre o adolescente.

O livro começa empolgante! Com um sadismo bem encaixado, achamos que Caulfield é um daqueles adolescentes diferentes, maduros, que de uma forma positiva não se encaixam no senso comum. Porém, com o passar da leitura, a impressão inicial se esvai e percebe-se a imaturidade do personagem, que do alto de sua pseudo-superioridade odeia a mediocridade a sua volta.

Digo que entendo os motivos de quem gostou do livro porque o personagem realmente nos engana com seu estilo “fora do eixo adolescente comum”, sendo essa a virtude da história. Mas Caulfield – assim como dito no livro - é muito bom nesse negócio de não se encaixar em padrões, tão bom que torna-se chato, tão bom que parece esforçar-se demais para estar deprimido, tornando-o falso. O bom depressivo é aquele que não precisa odiar a tudo para se sentir dessa maneira.

Em suma, uma história sem objetivo sobre um rebelde sem causa e, ainda por cima, com um final frustrante.

TOP 10 - Álbuns que marcaram

Vi esse post no Tribos e Tributos e entrei na brincadeira. O intuito da lista não é eleger os melhores álbuns, e sim aqueles que marcaram a vida de quem os escutou.

No meu caso, cheguei ao Top 10 relacionando dois tipos de álbuns: aqueles que são reflexos de uma fase, uma espécie de marco, um símbolo de determinado período; e álbuns que de alguma forma modificaram a pessoa que sou, alterando gostos, opiniões ou despertando sentimentos latentes.

Foi ótimo fazer a lista e relembrar a época de cada um. Portanto segue minha lista, em ordem conscientemente aleatória, porém nunca se sabe quanto ao subconsciente:


Rosa de Saron – Angústia Suprema
O ano é 1998 e eu tenho 11 anos. Nesta época freqüentava a casa de um querido amigo – hoje distante - que me presenteou com uma fita K7 desta banda. O Rosa de Saron foi a primeira banda de rock que escutei, foi o primeiro show ao vivo que presenciei e foi uma grande influência à época, fazendo-me ingressar na igreja católica e nos grupos de jovem.



Eterna – Papyrus
A fita K7 mencionada acima deveria ter cerca de 60 minutos e meu amigo aproveitou o espaço que sobrou após a gravação de Angústia Suprema para incluir a música Mary’s Son da banda Eterna. Logo que pude emprestei o CD da banda que continha essa faixa e adorei. O Eterna me traz recordações parecidas com as do Rosa de Saron, afinal conheci as bandas na mesma época e através do mesmo núcleo de amigos. No entanto, Papyrus marca uma espécie de evolução, registrando minha entrada no mundo mais pesado do Rock. Algo que - em conjunto com letras em inglês, voz aguda e bateria de bumbo duplo - viriam a se tornar corriqueiros mais a frente.


Engenheiros do Hawaii – Surfando Karmas & DNA
Engenheiros do Hawaii é grande influência de um primo mais velho. Acho que desde pequeno ouço Gessinger e seus infiéis companheiros, mas o álbum que realmente fez parar meu mundo para ouvir os hawaianos foi Surfando Karmas & DNA. O grande trunfo deste álbum e desta formação é o som garageiro que fizeram, algo simples e certeiro, que somado às ótimas letras de HG criaram um disco gostosíssimo de se ouvir. Daí em diante, o ENGHAW se tornou uma de minhas bandas favoritas.


Guns N’ Roses – Live Era 87-93
Guns N’ Roses foi a grande influência da minha adolescência. Passei horas, dias e noites ouvindo os agudos de Axl Rose e lembro-me perfeitamente que tudo começou com dois CD’s piratas do álbum duplo Live Era 87-93. As performances ao vivo desses registros são ótimas, pois não se trata de um único show e sim um compilado de vários deles. Algum tempo depois juntei minha mesada pra comprar o álbum original, porque esse valeu a pena.


Iron Maiden – The Number of the Beast
Esse foi o primeiro CD original que comprei na minha vida. Rodou horas no meu aparelho, acho que por muito tempo foi o álbum que mais escutei (talvez ainda seja). Bruce estréia nesse disco, mas parece que ele está na banda desde a formação, tamanho o sincronismo que sai das caixas de som. Todas as faixas são ótimas, o disco é coeso e o clima meio satânico da capa pode ser sentido em cada acorde do álbum. Esse álbum marca minha transição para o metal - ainda que de forma tímida - e para o lado negro da força (rs).


Angra – Angels Cry
Esse disco estava no mesmo porta CD’s do Surfando Karmas & DNA na casa do meu primo. Eu vinha escutando bastante Iron Maiden, já tinha ouvido falar num tal de André Mattos que quase havia sido vocalista do Iron, e resolvi botar o bichinho pra rodar. De cara, travei na faixa Hutering Heights e fiquei um tempão ouvindo-a, até que na seqüência fui descobrir o grande álbum que estava em minhas mãos. Aqui nascia uma pontinha de gosto por metal melódico.


Edguy – Theater of Salvation
Até hoje me lembro do dia em que ouvi esse álbum pela primeira vez. Na época estava fissurado em Guns N’ Roses e Iron Maiden e um amigo que já estava descambando pro metal resolveu me levar junto. Estávamos na sala da sua casa e ele colocou Running Wild pra tocar, eu não gostei e blasfemei contra a banda (logo após ouviria muito o álbum em questão – Black Hand Inn). Mas meu amigo não desistiu e colocou o Theater of Salvation pra rodar e eu quase tive um orgasmo. Ele me emprestou o CD no mesmo dia, eu fiz uma cópia e esse é o marco definitivo da minha entrada no mundo do metal. Edguy me influenciou demais, me levou a um novo mundo, me deu um estilo de vida lá pelos 16 anos. Ouvi todos os álbuns deles até o Rocket Ride e inclusive fui ao show da turnê do Hellfire Club, último grande disco do quinteto. Espero que Tobias volte a um estilo mais pesado e o Edguy ressurja das cinzas.


Capital Inicial – Rosas e Vinho Tinto
Este álbum marcou muito mais pelo contexto do que pela qualidade em si, apesar de não ser exatamente ruim. Eu havia terminado meu primeiro namoro e ainda estava sentido, quando resolvi dar uma caminhada. Coloquei o Disc Man na mochila e sai sem rumo ouvindo o som da banda. A sonoridade e as letras combinaram perfeitamente com o contexto da época e a banda exorcizou todos os demônios que habitavam minha cabeça.


Coldplay – A Rush Of Blood to the Head
Ah Coldplay! Esse álbum é perfeito e já retrata uma fase mais atual, quando deixei o som pesado de lado e passei a focar mais em qualidade e feeling. Neste álbum constam os maiores sucessos da banda, dentre eles “The Scientist” que é uma de minhas músicas preferidas. A partir deste álbum ampliei meu horizonte musical e direcionei meus ouvidos ao Pop Rock, Indie e Rock Alternativo.


Weezer – Make Believe
Este é o ano de 2007, estou começando cargo novo na empresa, iniciando a faculdade, conhecendo gente nova e vivenciando novas situações. Navegando na internet acho este álbum por R$ 15,90. Apesar de ainda não ter ouvido Weezer, tinha boas referências e, não sei bem como, uma força estranha tomou conta de mim e me fez comprar o CD em questão, sem nunca ter ouvido a banda. Após alguns dias o correio entregou, ouvi Beverly Hills com um pé atrás, mas me entreguei à Perfect Situation (ainda mais quando vi o clipe com a Elisha Cuthbert) e as demais faixas (inclusive a Beverly Hills). A partir de então corri atrás do Blue Álbum, Pinkertron, etc. e o Weezer tornou-se uma de minhas bandas favoritas.

FF - Fim de Férias

Férias...

Terminou meu curto período de férias e como não pude viajar, aproveitei para colocar a cultura pop em dia.

Dexter
Assisti a 3ª temporada que seguiu basicamente a mesma fórmula das anteriores, explorando a aproximação de um estranho ao mundo bizarro de Dexter. Dessa vez não foi o irmão ou a amante quem se encarregou de tentar entender o serial killer, e sim um completo estranho (Miguel) que foi se tornando amigo e aos poucos conquistou sua confiança, terminando por decepcioná-lo. Vale salientar que apesar da fórmula geral ser a mesma das temporadas anteriores, a intensidade das aproximações tem sido cada vez maior e essa “fraqueza” do Dex em algum momento poderá minar sua sede de vingança, haja visto que agora ele será pai e chefe de família. Outro enfoque interessante foi o chamado efeito borboleta, em que uma atitude errada – um assassinato relâmpago fora do código – desencadeou uma série de acontecimentos incontroláveis. Em suma, uma boa temporada com escolhas que influenciarão uma quarta temporada que promete.

Californication
Apesar do desfecho perfeito da primeira temporada, Californication continua provando ser uma das melhores séries da TV. Hank Moody continua sendo interpretado de forma singular por DD, que consegue potencializar todas as facetas do personagem, evitando que o protagonismo fique cansativo. A derrocada de Charles Runcle e a introdução Lew Ashby deram fôlego aos episódios e também contribuíram para um maior equilíbrio na exposição do elenco. Eu só não gostei muito dos flashback’s utilizados nos últimos episódios, mas talvez seja um mal necessário para entendermos melhor a relação entre Hank e Karen. As mudanças para a terceira temporada foram introduzidas nos capítulos finais e me deixaram ansioso para saber em quais situações embaraçosas Hank Moody se envolverá dessa vez – da forma que só ele é capaz.

Garçonetes do Tio Sam


Assista Hollywood ou qualquer seriado americano e repare na garçonete. Só existem dois tipos delas nos E.U.A:

- Jovem entre 18 e 21 anos, gostosa, inconseqüente, promíscua (biscate), expert em strip-tease, trabalha para pagar os porres que frequentemente toma.

- Meia idade, entre 30 e 45 anos, coroa gostosa, é péssima mãe e sente culpa por isso, pobre, endividada, tem um namorado beberrão e violento, mas está frequentemente querendo mudar de vida.

Parece besteira, mas esse personagem caricato nos remete a algum preconceito do Tio Sam, algo no sentido de que toda mulher perturbada emocional e financeiramente acaba se tornando garçonete.

Entre a o caso 1 e o caso 2 há apenas um hiato de tempo, o que nos leva a imaginar que a jovem inconseqüente, no futuro, será a péssima mãe com namorado violento, caso não modifique seus atos. O que acontece nesse espaço de tempo é irrelevante, afinal não importa por qual tipo de problema a personagem passou, o resultado é que agora ela é uma garçonete humilhada diariamente por clientes imbecis.


P.S.: Garçonete é uma profissão digníssima e mais honesta do que muitas por aí...