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Onze Minutos


Em 11 minutos, Paulo Coelho nos envolve com a história de Maria, uma típica garota do sertão, que se entrega a prostituição ao receber uma oportunidade de morar fora do Brasil. Até aí nenhuma novidade, pois como o próprio livro deixa claro, trata-se de uma história corriqueira. Porém, a singularidade da personagem traz o brilho necessário ao enredo.

Acompanhamos a evolução de Maria - garota simples, porém inteligente - desde sua ingênua infância e adolescência até suas experiências mais sombrias com sadomasoquismo. Esse processo de perca de inocência é vivenciado através da própria escrita da personagem, em trechos que reproduzem seu diário (diga-se de passagem, o ponto alto do livro). É acompanhando seus pensamentos que refletimos sobre muitas coisas da vida, como a busca incessante por sexo, os vazios da alma, o desperdício de tempo ante uma vida curta, nossa luz interior, o fechamento do coração, a busca por um grande amor, as nuances do desejo, os prazeres da dor, etc. A gama de assuntos abordados é enorme e de extrema qualidade.


O trunfo de Paulo Coelho é a sutileza da história, que trata de sexo sem vulgaridade. Somos envolvidos nos acontecimentos e nos pegamos torcendo pelo sucesso de uma prostituta sem perceber o conflito moral existente nessa situação. E não há nada melhor para quebrar preconceitos do que experiências como essa. Não se trata de apologia a profissão mais antiga do mundo, mas sim de aproximar a realidade delas à de qualquer outra pessoa, de perceber que antes da profissional do sexo está o ser humano, com sonhos e esperanças semelhantes aos nossos. Em suma, uma vida tão fácil e tão difícil quanto a de qualquer um.


Sabe aquela coisa de fazer limonada com os limões que a vida nos dá? Maria não perdeu sua oportunidade.


Onze Minutos - Paulo Coelho
Nota: 4.0

O Apanhador no Campo de Centeio


Minha sensação ao ler esse livro foi morna. Talvez porque consegui entender o motivo de tantos terem se empolgado com o texto e, apesar disso, o livro não me tocou, não conseguiu mexer comigo.

Em “O Apanhador no Campo de Centeio”, passamos um final de semana na vida de Holden Caufield, um adolescente americano burguês que não consegue lidar com o mundo a sua volta. Caufield acaba de repetir o ano em mais um colégio interno e resolve tirar férias mais cedo, fugindo três dias antes do previsto.

Toda a história é escrita em primeira pessoa, o que nos torna muito próximos do personagem e faz com que o gostar ou não gostar do livro seja conseqüência de nossa opinião sobre o adolescente.

O livro começa empolgante! Com um sadismo bem encaixado, achamos que Caulfield é um daqueles adolescentes diferentes, maduros, que de uma forma positiva não se encaixam no senso comum. Porém, com o passar da leitura, a impressão inicial se esvai e percebe-se a imaturidade do personagem, que do alto de sua pseudo-superioridade odeia a mediocridade a sua volta.

Digo que entendo os motivos de quem gostou do livro porque o personagem realmente nos engana com seu estilo “fora do eixo adolescente comum”, sendo essa a virtude da história. Mas Caulfield – assim como dito no livro - é muito bom nesse negócio de não se encaixar em padrões, tão bom que torna-se chato, tão bom que parece esforçar-se demais para estar deprimido, tornando-o falso. O bom depressivo é aquele que não precisa odiar a tudo para se sentir dessa maneira.

Em suma, uma história sem objetivo sobre um rebelde sem causa e, ainda por cima, com um final frustrante.